
Bom, eu nem tô tão animada pra posts, mas li o blog da mama (blogagem coletiva - que eu nem sei direito o que é) sobre adoção e pensei rapidamente sobre isso, que sempre tive vontade mas nunca fiz nada pra por em prática, nem procurei informação sobre, além do que Eder tem um pouco de receio apesar de também ter vontade. Mas o pensamento logo foi embora.
Mais tarde organizando uma fotos no computador achei umas pastas com as fotos de Dudu e fiquei pensando sobre ele e resolvir contar pra vocês.
Eu e Eder sempre tivemos vontade de fazer coisas em prol de lguém que precise, mas parece que sempre que tentamos nos decepcionamos, acho que fazer algo pelas pessoas tem que ser realmente sem nenhuma expectativa, sem apego e isso eu ainda não consegui alcançar, faço o que sinto, mas quando vejo que não há um reconhecimento desanimo. Não que faça pelo reconhecimento, mas é difícil você ajudar quem não quer ser ajudado, apenas acha que quer.
Bom a história de Dudu foi a seguinte:
Numa viagem pro interior da Bahia - onde nasci - comentei com uma tia que gostaria de adotar uma família (ajudar financeiramente) e resultou que comecei a ajudar Dudu e a mãe dele que passavam por uma situação muito ruim. Volta e meia cogitava a possibilidade deles morarem comigo, finalmente fizemos a proposta pra mãe e ela aceitou e as condições seria as seguintes:
Eles viriam morar aqui ela viria pra trabalhar comigo, reeberia por isso e eu arcaria com tudo relacionado a Dudu (saúde, educação, alimentação, vertuário...emfim tudo!), mas deixei sempre bem claro: eu não quero ser mãe de Dudu, a mãe dele é você. Também sempre deixei bem claro que ela não seria tratada como empregada, nos acompanharia em todas as atividades da familia e tudo mais, mas teria obrigações, no entanto Dudu teria prioridade nas coisas.
Afe gente, mas foi 1 mês de estres, ninguém aguentava mais, nem quem vinha nos visitar, nem eu nem Eder, ninguém porque a mãe não conseguia vislumbrar a oportunidade que o filho dela estava tendo sem ao menos ter que se separar dele e não fazia nenhum esforço pra que isso acontecesse. Sem contar que judiava dele demais, batia, deixava com fome, afe não gosto nem de lembrar...
A gente conversava com ela, explicava, mostrava, até que um dia ela virou e disse que pobre tem que sofrer mesmo... mostrei pra ela as fotos de quando casei, que ela tava me vendo numa situação boa, mas que eu tb já passei fome, que quando eu casei passei um ano com um colchao e um fogao, sem geladeira, mesa, radio, televisão, cama, armário nada... Mas que aproveitei as oportunidades que apareciam pra mim. E fomos tentando, tentando... Eder já estava num estado de nervosismo que proibiu a entrada de Dudu no nosso quarto porque não aguentava mais ver as quedas e o desleixo dela com ele. Nós saiamos e eder ficava na rua apavorado com o que poderia estar acontecendo em casa, se chegariamos e Dudu estaria bem. Eu tentava entender que ela não teve a mínima instrunção, mas a gente falava ela fechava a cara e achava ruim ou simplesmente entrava por um ouvido e saia pelo outro. Tentamos, tentamos, mas não dava mais pra presenciar aquilo, foi o que eu disse a ela: ela é a mãe dele... não eu. Eu estava disposta a instruir, ajudar além da ajuda financeira, mas não ia criar o filho dela sozinha, ela tinha que ter compromisso, nçao tinha pretensão de te tirá-lo dela, queria ensiná-la a ser mãe e aprender junto com ela.
Era duro ouvir Dudu chorar o dia inteiro, não por ele, afinal ele tinha 1 ano... mas porque sabiamos que era negligencia da mãe, sabiamos que ele chorava de fome (e não era por falta de comida), ou de sono ou simplesmente de tédio porque ele não era incentivado com nada.
Desculpem estar escrevendo essas coisas tristes, mas acho que eu mesmo precisava entender certas coisas, entender que ainda não cheguei nesse nível de doação ao próximo.
Uma frase que ela disse me marcou muito: eu disse pra ela que uma crianaça de 1 ano não entende o que significa um tapa e por isso ela não estava ensinando nada a ele ai ela me respondeu: mas eu não bato de murro não... Afe...
E isso durou um mês e eu fiquei frustrada porque gostaria muito de encaminhar uma criança que muito dificilmente terá um futuro digno, será mais um ignorante em todos os sentidos, porque é isso que ele tem como exemplo. Eu queria muito poder ajudá-lo mas a propria mãe parecia não querer era um conflito muito grande uma mãe que quis levar uma gravidez adiante e batia no peito se orgulhando disso, mas que não colocava em prática esse amor... Eu continuo querendo achar que era ainda muita ingenuidade, continuo querendo acreditar que as intenções não eram as piores... mas eu não aguentei...
è só mais um desabafo... desculpa mais uma vez por trazer mais textos grandes e tristes ... é mesmo só mais um desabafo...
obrigada por me "ouvirem" e quem não teve saco de ler obrigada por não desistir de mim e vir aqui sempre dar um espiadinha..
beijos
essa escuridão logo passa